Enlatados
Não me vem nada na cabeça.
Portas se abrindo e fechando. Um cheiro forte de suor.
O trem anda rápido para garantir a produção.
Tem uma senhora dormindo ao meu lado.
A porta se abriu e o vagão já mudou por completo.
Pessoas que frequentam esse lugar mas não queriam se quer pisar aqui.
Eu sinto a energia negativa.
Eu mesmo estou me sentindo mal.
A muita dor aqui, as pessoas querem se interter no celular mas está apertado de mais.
Sorrisos... Não aqui só existem rostos cansados e dormindo.
Eles estão no ciclo.
Trabalhar não deixa ninguém rico.
Mas você vai me falar de escolhas.
E que mal faz beber umas cerveja e fumar um Masso de cigarro por dia.
Existe outra forma de engolir essa merda.
Tem marmita abrindo, salgadinhos e doces.
O povo está olhando pra baixo.
De uma estação a outra o fedor de urina e o medo do assalto.
Você sempre sorri com os bares lotados de pessoas comuns.
Shakespeare, desenvolvimento pessoal, inteligencia emocional, passos para o sucesso...
Porra enfia seu discurso motivacional no...
As pessoas mereciam mais, sim todos eles mereciam mais.
Mais a roda precisa tirar, e nós estamos sobre o olhar das câmeras.
Pobre. Pobre do humano vivendo em uma pandemia em meio a desumanidade.
Tempo, aqui escorre pelo ralo e vai direto pra pia de nossas casas.
Aqui o vírus se deita para rir e trepar.
No trem ninguém morre.
Tenho que descer porque a morte está no ar e este trem anda bem rápido.
Está me dando enjoo.
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