O último grilo do pote
Éramos em sete, nos prenderam um a um. Fomos arrancados de casa sem nada ter feito de errado.
E o mais cruel é saber que o que chamo de casa não passa de um ambiente onde tudo é artificial, a comida que comemos aqui é artificial, as plantas sao artificiais a terra, nada passa ileso...
Mas eles pensam que não sabemos a diferença.
Estamos nesse novo pote já faz sete dias e não sabemos qual o sentido dessa mudança.
Derrepente o pote começou a balançar violentamente deixou os meus avós sem suas pernas, alguns tiveram seus olhos furados...
Paramos, e ao invés de sentirmos alívio lamentamos profundamente a fatalidade desse terremoto.
Mas a quem recorrer?
Quem está fora do pote nos vendo para trazer salvação?
Ficamos em um canto escuro por uns 10 dias.
De tempo em tempo algo aparecia do nada e levava um de nós.
Ninguém nunca voltou!
Alguns dos meus irmãos e parentes estão morrendo sufocados, já são 6 dias aqui trancado sem luz.
O fedor dos mortos não podia ser coberto!
Tamanho era a dor das mães, seu choro era o mais alto e triste de todos.
Mas mesmo assim quem poderia fazer alguma coisa.
Existe alguém que olhe por nós lá em cima naquela luz que vem nos buscar de um em um?
Restamos eu e minha mãe, meu pai morreu de fome.
Hoje é o nono dia o pote não se abriu o estoque de ar que sobrou já chegou ao fim.
Como todos os grilos machos até aqui fizeram eu irei me sacrificar.
Quando o pote abril me coloquei em frente ao objeto de metal que apertava uma de minhas pernas e me puxava para cima.
Pensei ser o meu socorro.
Mas aquele era o garfo do próprio diabo que levou um por um para ser devorado por uma criatura de oito olhos horripilante.
E agora a minha miséria é saber que da luz que esperávamos vida era a própria morte que nos levou um por um, e vai levar a minha mãe a última sobrevivente das desgraças que ninguém nunca imaginou que nós vivemos...
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