Depondo ao diabo
Já havia dias que eu sentia estar no limite, a sensação de incômodo, de estresse era insuportável.
Minha rotina era simples. Acordar esticar o braço e tomar um copo d'água que ficava sempre ao meu alcance em cima do criado mudo, levantar tomar um banho, me trocar e ir trabalhar.
No começo me sentia feliz, eu amava o ambiente onde trabalhava.
Mas quando ele se tornou meu chefe, as coisas mudaram...
Como eu disse eu já nem suportava mais a ideia de ir trabalhar.
Ele vivia me tirando do sério, me pedia coisas absurdas só para me ver desgastado.
Eu nem sei como aconteceu pra ser sincero...
Desde às últimas semanas, todas as vezes que ele falava comigo a minha irá era tão forte que nem eu sabia controlar.
Me pegava imaginando como eu poderia acabar com ele.
Foi aí que começou...
Primeiro me via socando a boca dele até esmagar toda sua cara!!
Eu podia sentir, não era apenas uma imaginação...
Por vezes me peguei pensando em esperar ele sair do trabalho e segui-lo até um lugar propicio para o matar...
Mas eu queria vê-lo sofrer...
Pensava no que iria falar para ele enquanto o esquartejava.
Imaginava com sensação de prazer um martelo cravado em sua testa. Me via desferindo aqueles golpes com todo ódio possível.
Eu me via fazendo tudo isso e sorrindo.
Mas era só imaginação, e eu gostava de poder matar o meu chefe em pensamento.
Até que chegou o dia.
Já disse não sei como aconteceu....
Lembro de não ter chegado no horário em uma das reuniões de segunda-feira.
Fui para minha sala, quando derrepente a porta se abriu violentamente. Eu o vi bufando em minha direção, todo setor estava congelado vendo a situação. Ele gritava palavras de ofensa que no momento eu nem entendia, tamanho era o meu ódio, que eu só sentia ter sido privilegiado com a chance da minha vingança.
Fui humilhado aquele dia, não falei uma se quer palavra.
Me levantei e fui para casa.
Eu não sei da onde surgiu o pensamento infernal de pegar um alicate que eu tinha no carro, aqueles de cortar cadeado e também uma chave de fenda e esperar o sujeito na casa dele.
Pulei o portão. Não foi difícil entrar.
Ele chegava por volta das 18:30 já escuro. Morava em uma chácara.
Ali eu já havia perdido a razão...
Não quero mais falar, não vou dizer mais nada !!
O maldito chegou, eu estava atrás da cortina preta de sua sala.
Ele não tinha esposa nem filhos nem animais..
Era um tremendo filho da puta!
Esperei até que ele dormisse... Era o meu momento!
Fiquei ali por volta de quatro horas imaginando diversos tipos de crueldade. Desejando, na espreita de como iria saciar a minha irá.
Ele dormiu...
Nesse momento eu me aproximei, segurei a chave de fenda com toda força que eu tinha e cravei em seu estômago.
O grito que ele soltou foi como música aos meus ouvidos!
Estou matando o filho da puta do meu chefe!!
Ele estava assustado, deixei que olhasse nos meus olhos, então comecei a fincar aquela chave em seu estômago, pernas e braços sem parar, aquilo foi gostoso, ver ele sem forças para me humilhar, aquele homem de negócios todo poderoso agora estava se mijando e implorando que eu o deixasse viver...
Quando vi que ele já não conseguia mais lidar com os ferimentos. Peguei o alicate e comecei a arrancar dente por dente de sua boca, cortei a língua em vários minúsculos pedacinhos.
Com ele ainda acordado e gemendo incessantemente eu me afastei...
Fui até o meu carro e lembrei do galão de gasolina que havia comprado para completar o tanque do carro.
Motivo pelo qual me atrasei pela reunião...
Peguei o galão e sem pensar duas vezes subi as escadas, meti a mão no bolso acendi um cigarro, abri o galão de gasolina e fiquei observando aquele homem branco, pálido se rastejando como um animal a espera da morte, se agarrando a última centelha de esperança de viver.
Eu vi seus olhos esbugalhados ao ver a gasolina, eu vi sua vontade de dar o mais horripilante grito de terror..
Eu me sentia vivo, extasiado!
O cigarro nunca foi tão saboroso e relaxante como naquele momento...
Dei três ou quatro passos em direção ao maldito, fiz questão de virar o galão em sua boca dilacerada, então dei um chute em sua cara para que não morresse sufocado..
Despejei pelo seu corpo todo, seria uma fogueira linda!
Nesse momento eu ouvia o seu corpo tremer, poucas pessoas no mundo verão um homem com tanto medo.
Ele estava coberto de gasolina, agora já havia aceitado a morte.
Eu me sentei no sofá, e calmamente dei o último trago..
Coloquei a bituca ainda acesa de lado, e despejei todo o restante da gasolina em mim, da cabeça aos pés, sorrindo...
Peguei cuidadosamente a bituca e lancei sobre o verme!
Seus espasmos, seus sons de medo e desespero me deram coragem.
Estava feito!
Me ajoelhei ao lado daquele monte de merda fedida e deixei com que o fogo me tomasse.
E no fim, eu já sabia que viria para cá...
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